1 de novembro de 2008

Servico Biblico Latino Americano

Sábado 1º de novembro de 2008
Todos os santos (solenidade)

Santos do Dia: Austremônio de Clermont (bispo), Benigno de Dijon (mártir), Catamano de Wales (abade), Cesário e Juliano (mártires), Cesário de Clermont (bispo), Cirênia e Juliana (mártires), Floriberto de Ghent (abade), Genésio de Fontenelle (monge, bispo), Germano de Montfort (monge), Marcelo de Paris (bispo), Maria, a Eslava (virgem, mártir), Severino de Tívoli (eremita), Vigor de Bayeux (bispo).

Primeira Leitura: Apocalipse 7,2-4. 9-14
Vi uma multidão enorme que ninguém poderia contar.
Salmo Responsorial: Sl 23(24), 1-2. 3-4ab. 5-6 (R. cf. 6)
É assim a geração dos que procuram o Senhor!
Segunda Leitura: 1João 3,1-3
Veremos Deus tal como é.
Evangelho: Mateus 5,1-12a
As bem-aventuranças.

As leituras da solenidade de Todos os Santos servem para definir as características exigidas a toda a sociedade que queira colocar seu fundamento na condução de Deus e do amor, e que deseje apresentar-se como alternativa às sociedades que se baseiam sobre o egoísmo humano.

A situação presente se descreve nos textos como "grande perseguição" (Apocalipse 7,14), própria de um mundo que "não reconheceu a Deus" (1João 3,1) e na qual são visíveis as carências (Mateus 5,3-6) e perseguições do discípulo (Mateus 5, 10-11).

Desde este pano de fundo, os textos delineiam as características de uma nova sociedade capaz de oferecer uma resposta que possa corresponder aos anseios mais profundos da família humana e uma forma de assegurar existência digna para todos os seres humanos e, desta maneira, a realização do desígnio divino.

Por isso em todos os textos se insiste no modo de realizar a vida segundo esse desígnio. Trata-se de definir um "espaço", um "âmbito" em que se possa realizar uma vida em comunhão com Deus. Por essa razão se apresentam as características dos que "não somente são chamados, mas de fato são filhos de Deus" (1João 3,1), a criação de um âmbito de um culto autêntico ao que pode integrar-se toda a pessoa que tenha "mãos inocentes e puro o coração" (Salmo 23,4) e dos que possam estar de pé diante do trono e do Cordeiro (Apocalipse 7,9b).

Com vistas a constituir esta nova sociedade, Jesus proclama as bem-aventuranças, único meio de poder alcançar uma relação autêntica entre os seres humanos. A proposta é apresentada exclusivamente de forma positiva, diferentemente de Lucas 6,20-26 em que as bem-aventuranças são continuadas por ais de condenação (mal-aventuranças).

Contudo, as exigências não são menores que as apresentadas neste último texto. A necessidade de sua obediência alcança todos os seres humanos. Pois, embora Jesus fale diretamente aos discípulos, dirige-se também à multidão, cuja presença é assinalada no texto: "Ao ver Jesus o povo" (Mateus 5,1). E o alcance universal do mandamento se revela também nas palavras condenatórias do capítulo 23 que se apresenta como contrapartida das bem-aventuranças e que são dirigidas aos fariseus, que ao longo da atuação de Jesus rejeitaram a proposta.

A obrigatoriedade da Lei se reflete também nas indicações referidas ao lugar do ensinamento e à posição que Jesus adota. A montanha lembra o Sinai, de onde Deus proclamou a legislação israelita, e o "sentar-se" é outro símbolo da "autoridade" do legislador, várias vezes mencionada no bloco dos capítulos 5-9, dos que as bem-aventuranças são o começo.

Diante das sociedades de marginalização, econômica e política, criadas pelo egoísmo humano, a nova legislação privilegia os que sofrem a dita marginalização: os pobres (v.3) e os perseguidos (v.9). Nos pobres e nos perseguidos se revela o poder de Deus e se tornam realidade as promessas sobre o Reino de Deus.

Estes são os que reconheceram esse poder em sua vida e por conseguinte podem experimentar o significado da verdadeira felicidade já no presente: "eles têm a Deus por Rei" (v. 3 e 9).

Trata-se de categorias que fizeram uma opção clara, opção que os colocou à margem da sociedade de acumulação de bens e da sociedade de injustiça. No fundo, sua atitude consiste em uma opção decidida pelo projeto de Jesus, como transparece no v. 11, que concretiza a felicidade de quem é perseguido pela justiça, aos discípulos "perseguidos" por amor a Jesus (v.11).

Esta opção tem consequências negativas no presente. Sobre os que se decidem por este tipo de vida se desencadeia o "sofrimento" (v. 4), a impotência própria dos "subjugados" (v. 5), "a fome e a sede" (v.6) reflexo da ausência da justiça. Mas, nessas carências, Deus está agindo para a mudança da situação, e a esses corresponderá "o consolo", o "herdar a terra" e o "ficar saciado", frutos da ação divina.

Por outro lado, promete-se a plenificação de uma vida realizada em "misericórdia", "pureza de coração" e "trabalho pela paz" (vv. 7-9). Tal vida se situa em um âmbito que assegura a comunhão com Deus, e, dessa forma, tais sujeitos "alcançarão misericórdia", gozarão de "visão" divina e pertencerão à própria família de Deus. Esses serão chamados por Deus filhos seus" (vv.7-9).

A partir dos marginalizados pela economia e pela política, dá-se a possibilidade da estruturação presente na sociedade futura do Reino. Em continuidade com os "profetas" que anunciam um mundo novo, a comunidade de discípulos pode, com suas opções, realizar sua inauguração.

No v. 12 retoma a confrontação com as sociedades do presente, edificadas em torno da recompensa monetária e a aceitação da ordem estabelecida pelos governantes da vez. Diante disso se promete uma "recompensa no céu" e o compartilhar da sorte dos profetas, "perseguidos antes de vocês".
Também a sociedade opulenta do presente coloca no acúmulo de bens o modo de obtenção da realização humana e recorre à força para manter a situação de injustiça por meio de medidas repressoras mais ou menos evidentes. No meio disso, a comunidade cristã é chamada a ser sinal de outros valores, os únicos que podem satisfazer os anseios mais profundos do ser humano. A comunhão com os pobres e os perseguidos surge do próprio seguimento de Jesus e nela se joga a fidelidade ao projeto divino.

Para a aplicação mais parenética deste precedente comentário exegético, recomendamos como a melhor referência o capítulo V da Constituição Dogmática da Igreja "Lumen Gentium", do Vaticano II, com seu "Universal chamado à santidade".


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