16 de novembro de 2008

Servico Biblico Latino Americano

Domingo, 16 de novembro de 2008
33º do Tempo Comum

Santos do Dia: Santa Margarida da Escócia , Santa Gertrudes (Virgem), Afano de Wales (bispo), Áfrico de Comminges (bispo), Alfrick de Cantuária (monge, bispo), Edmundo Rich (bispo), Elpídio, Marcelo, Eustóquio e Companheiros (mártires), Euquério de Lião (bispo), Fidêncio de Pádua (bispo), Gobriano de Vannes (bispo), Inês de Assis (clarissa), José Moscati de Nápoles (médico leigo), José Mkasa (mártir da Uganda), Otmar de São Galo (abade), Rufino, Marcos, Valério e Companheiros (mártires da África).

Primeira Leitura: Provérbios 31, 10-13. 19-20.30-31
Com habilidade trabalham suas mãos.
Salmo Responsorial: Sl 127 (128), 1-2. 3. 4-5ab (R. cf. 1a)
Felizes os que temem o Senhor e trilham seus caminhos!
Segunda Leitura: 1Tessalonicenses 5, 1-6
Que esse dia não vos surpreenda como um ladrão.
Evangelho: Mateus 25, 14-30
Como foste fiel na administração de tão pouco, vem participar de minha alegria.

A parábola dos talentos é sem dúvida o texto principal entre as leituras de hoje. Um comentário pastoral a esta leitura poderá ir pelo caminho usual com este texto: Mateus acaba de falar da vinda futura do Filho do Homem para o julgamento, e continuando nos diz quais são as atitudes adequadas ante essa vinda, a saber, a vigilância (parábola das dez virgens) e o compromisso da caridade (parábolas dos talentos e do julgamento das nações). A parábola dos talentos é, neste contexto interpretativo, um elogio do compromisso, da efetividade, do trabalho, do rendimento. Poderá ser aplicada frutuosamente ao trabalho, à profissão, às realidades terrestres, o compromisso secular...

Contudo, o contexto da hora histórica em que vivemos é tal que esta mensagem, em si mesmo boa e até ingênua, pode-se tornar proveitosa em relação à ideologia hoje dominante, o neoliberalismo.

Este, com efeito, prega, como grandes valores seus, a eficácia, a competitividade, a criação de riqueza, o aumento da produtividade, o crescimento econômico, os altos rendimentos de interesse bancário, a aplicação em valores, etc. São nomes modernos bem adequados para o que se apresenta na parábola, embora se forem utilizados na homilia, muitos ouvintes hão de achar que o orador sacro terá saído dos assuntos de sua competência...

Por uma casualidade do destino, esta parábola se tornou bem atual, e os teólogos neoconservadores (também os há em teologia) valorizam-na bastante.
Algumas de suas frases, sem necessidade sequer de interpretações rebuscadas, avalizam diretamente princípios neoliberais. Pensemos, por exemplo, no enigmático versículo de Mateus 25,29: A todo aquele que tem será dado mais, e terá em abundância, mas daquele que não tem, até o que tem lhe será tirado. Não será fácil fazer uma pregação aplicada que não contemple um sistema que, para muitos cristãos de hoje, está diametralmente oposto aos princípios cristãos.

A eficácia, a produtividade, a eficiência... não são maus em princípio. Diríamos que não são valores em si mesmos, mas "quantificações" que podem ser aplicadas a outros valores.

Pode-se ser eficiente em muitas coisas bem diferentes (umas boas e outras más) e com intenções bastante diversas (más e boas também). A eficácia em si mesma, abstraída de sua aplicação e de sua intenção... não existe, ou não nos interessa. O julgamento que fazemos sobre a eficácia dependerá, pois, da matéria à qual apliquemos essa eficiência assim como do objetivo a que se destine.

Cabe-nos então imaginar uma "eficiência" (agrupando neste símbolo vários outros valores semelhantes) cristã. O próprio evangelho a apresenta em outros lugares, em sua célebre inclinação para a prática: Nem todo aquele que disser "Senhor, Senhor", mas aquele que faz..., a parábola dos dois irmãos, Bem-aventurados antes os que ouvem a palavra e a põem em prática... e, mais paradigmaticamente, o mesmo texto que continua ao de hoje, que meditaremos no próximo domingo, Mateus 25,31ss, em que o critério do julgamento escatológico será precisamente o que tenhamos "feito" concretamente aos pobres...

A eficiência aceita e até elogiada pelo evangelho é a eficiência "pelo Reino", a que é posta ao serviço da causa da solidariedade e do amor.Não é a eficiência do que consegue aumentar a rentabilidade (reduzindo trabalhadores pela adoção de tecnologias novas), ou a do que logra conquistar mercados (reduzindo a capacidade de auto-subsistência dos países pequenos), ou a do que logra receitas fantásticas pelas aplicações especulativas de capital "voador"...

A eficiência pela eficiência não é um valor cristão, nem sequer humano. Talvez seja certo que o capitalismo, sobretudo em sua expressão selvagem atual, seja "o sistema econômico que cria mais riqueza"; mas não é menos certo que faz aumentar simultaneamente o abismo entre pobres e ricos, a concentração da riqueza à custa da expulsão do mercado, de massas crescentes de excluídos. O critério supremo, para nós, não é uma eficiência econômica que produz riqueza e distorce a sociedade e a faz mais desequilibrada e injusta. Não só de pão vive o ser humano. Como cristãos não podemos aceitar um sistema que em favor do (ou em culto ao) crescimento da riqueza sacrifica (idolatricamente) a justiça, a fraternidade e a participação de massas humanas. Pôr a eficiência acima de tudo isto, é uma idolatria, a idolatria do culto ao dinheiro, verdadeiro deus neoliberal. Sobre a "idolatria do mercado" e o caráter sacrifical da ideologia neoliberal, já muito se escreveu.

Não se trata de não querermos ser eficientes, competentes (mais que competitivos), ou que não sejamos partidários da "qualidade total"... Somos partidários da maior eficácia no serviço ao Reino, assim como da competência e a qualidade total no serviço ao Evangelho. (In ordinariis, non ordinarius, ditava um velho adágio da ascética clássica, querendo louvar a qualidade total nos menores detalhes da vida comum ou oculta.

Nem se deixa de reconhecer que com frequencia os mais "religiosos" tenham ficado alheios às implicações econômicas da vida real, pregando facilmente uma generosa distribuição onde não se consegue uma produção suficiente, esperando tudo das esmolas ou dos piedosos mecenas. Também no campo da economia teórica – sobretudo nesta hora – é necessário o compromisso dos cristãos.

Se Jesus se queixou de que os filhos das trevas são mais astutos que os filhos da luz, isso significa que a "esperteza" (outro tipo de eficácia) não é má;o mal seria pô-la a serviço das trevas e não da luz.


  

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