26 de outubro de 2008

Servico Biblico Latino Americano

26 de outubro de 2008
30º Domingo do Tempo Comum

Santos do Dia: Alano e Aldro (bispos), Albino de Buraburg (monge, bispo), Aneurin e Gwinoc (monges), Bean de Aberdeen (bispo), Cutberto de Cantuária (monge, bispo), Eadfrido de Leominster (monge), Eata de Hexham (monge, bispo), Evaristo (papa, mártir), Fulco de Pavia (bispo), Gaudioso de Salerno (bispo), Gibitrudes de Faremoutiers (virgem), Humberto de Fritzlar (monge), Luciano, Marciano, Floro e Companheiros (mártires da Nicomédia), Quadragésimus de Policastro (subdiácono), Rogaciano e Felicíssimo (mártires), Rústico de Narbona (bispo), Sigibaldo de Metz (bispo), Valentim e Graça (mártires), Virílio de Leyre (abade).

Primeira Leitura: Êxodo 22,20-26
Minha cólera se inflamará contra vós.
Salmo Responsorial: Sl 17(18),2-3a.3bc-4.47.51ab (R. 2)
Eu vos amo, ó Senhor, sois minha força e salvação.
Segunda Leitura: 1Tessalonicenses 1,5c-10
Nossa evangelização não ficou só em palavras.
Evangelho: Mateus 22,34-40
Amarás o próximo como a ti mesmo.

A legislação de Israel estava orientada a mitigar os efeitos do empobrecimento das grandes massas de camponeses. No exílio, a migração forçada por causa da guerra, a ambição se convertiam numa ameaça para a convivência e, sobretudo, iam contra os fundamentos éticos do povo de Deus.

O "código da aliança" dava ênfase, não somente às rubricas litúrgicas ou às orientações religiosas, mas à proteção dos setores mais vulneráveis da sociedade: forasteiros, viúvas, órfãos, diaristas e pobres em geral. Os forasteiros porque, na maioria dos casos, eram exilados de guerra que tinham sofrido o deslocamento forçado e chegavam às terras de Israel sem outro recurso que suas próprias mãos. A legislação recorda os benefícios do êxodo e a mudança de situação do povo hebreu que passou da escravidão à liberdade.

As viúvas e os órfãos estavam à mercê dos parentes varões que detinham o monopólio jurídico da terra. Os diaristas ficam sujeitos aos donos da terra que lhes pagavam quando queriam e não ao terminar o dia, como determinava a Lei. O clamor daquelas pessoas se tornava um cuidado do Deus libertador que não podia deixar impune os opressores, exploradores e ambiciosos.

Um homem do Antigo Testamento, como Jesus, se surpreenderia ao ver que nossa sociedade se baseia na usura. Para eles, as exageradas exigências de pagamento de uma dívida eram uma autêntica vergonha. E mais se assustaria ao saber que os grandes usurários governam as políticas dos países e determinam quem viverá saciado e quantos milhões de pobres morrerão de fome.

A avareza é, na Bíblia, um crime comparável somente ao assassinato. A avareza é a maior ameaça para a gente pobre que se vê obrigada a empenhar até a própria roupa para poder comer. A avareza se origina na injusta percepção dos valores sociais, pois a ambição e o acúmulo de riquezas se tornam o objetivo das relações sociais, deixando de lado seu caráter de gratuidade e solidariedade.

Tal situação fica consagrada igualmente no plano internacional. Tão consagrada que se considera como natural a situação amedrontadora da Dívida Externa. Países inteiros oprimidos com dívidas que equivalem a muitas vezes seu produto nacional bruto anual...

Quer dizer, que devem tudo o que possam produzir durante vários anos, que de fato se devem a si mesmos. E todo isso, proveniente de alguns empréstimos a que foram oferecidos a juros baixíssimos, mas flutuantes. Uma vez contraídas as dívidas foram internacionalmente elevadas até 18%, quando ao longo da história tais juros nunca haviam subido mais do que 6%.

Nos empréstimos pessoais sabemos quando alguns juros começam a ser escorjantes. Mas no plano internacional sabe-se onde começa a usura? Países inteiros devendo a si próprios, tendo que renunciar à saúde, à educação, etc. para poder pagar somente o "serviço" da dívida, sem sequer amortizar a dívida que não deixa de crescer não é usura? Costumamos pensar que o mundo civilizado e moderno é muito diferente daquele das massas pobres e de escravos que não eram donos de si mesmos, mas a diferença não é tão grande: as grandes estruturas de injustiça são agora muito mais complexas, sofisticadas e massivas.

Paulo interpreta a passagem de uma mentalidade legalista e opressora, para uma mentalidade criativa e libertadora, como uma mudança da idolatria ao culto ao Deus verdadeiro, ao Deus da Vida. Enquanto os hebreus eram prisioneiros dos intermináveis preceitos da Lei escrita e oral, os, assim chamados, pagãos eram escravos da incessante maré de modas de pensamento e de religiões que os impediam de se descobrirem a si próprios como escravos da idolatria do império. Paulo propõe aos gentios não uma religião a mais, senão um novo estilo de vida onde o discernimento, a gratuidade e a consciência de serem livres constituía o fundamento da relação com Deus e com o próximo.

O evangelho aponta, precisamente para a mesma direção ao nos mostrar que para Jesus, o fundamento da relação com Deus e o próximo é o amor solidário. Jesus sintetiza o decálogo e quase toda a legislação em seu princípio de amor fraternal e recíproco.

Os juristas gostavam de pôr à prova os conhecimentos que Jesus tinha sobre a Lei. Para eles o mandamento mais importante era a observância do sábado. Nesse dia deviam dedicar-se por completo ao repouso e a escutar a leitura da Escritura. Com o tempo transformaram esta lei num peso que a duras penas os pobres suportavam.

O sábado havia deixado de ser festa do Senhor e se havia convertido num dia triste, cheio de prescrições ridículas que impediam mobilizar-se, cozinhar e, inclusive, auxiliar o necessitado.

Quando os juristas perguntaram a Jesus pela lei mais importante, esperavam que ele cometesse um erro e se pronunciasse contra a própria Lei. Jesus se lhes antecipa e lhes faz ver que na Lei o mais importante é o amor a Deus e o amor ao próximo. O amor é o espírito mesmo da legislação divina.
Ao colocar estes dois mandamentos como o eixo de toda a Escritura, Jesus põe em primeiro lugar a atitude filial com respeito a Deus e a solidariedade inter-humana como os fundamentos de toda a vida religiosa. Inclusive, a adequada interpretação da Escritura (a Lei e os Profetas) depende de que sejam compreendidos e assumidos estes dois imperativos éticos.

Nós vivemos hoje em sociedades que têm muito mais normas que o povo judeu, inclusive nossas Igrejas têm extensas legislações. Vivemos também num mundo que tem muitíssimos mais milhões de pobres oprimidos sob a usura internacional, que os pobres oprimidos pelos quais clamaram os profetas. A Palavra de Jesus que hoje recordamos e atualizamos em nossa celebração é um convite a sacudir nossa passividade, a recuperar a indignação ética diante da situação intolerável deste mundo, chamado moderno e civilizado, e a voltar ao essencial do Evangelho, ao mandamento principal, aos dois amores.


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Os 80 anos de dom Pedro Casaldáliga foram o pretexto para a organização deste livro que traz dados biográficos e a visão de mundo do bispo espanhol, que desde 1968 vive no Brasil. Tendo enfrentado o isolamento, a malária, a tuberculose, as condições precárias de vida, cumpriu sua missão evangelizadora e defendeu a causa dos direitos humanos. Este livro traz, portanto, a oportunidade a todos de conhecer este homem, missionário, teólogo, poeta, bispo, dentre tantas outras funções, defensor das causas da terra, da Igreja, de Deus, das religiões e dos menos favorecidos. Seus poemas, fotos e testemunhos acompanham todos os depoimentos, que oferecem grandes lições de vida.

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