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Domingo, 28 de Setembro de 2008 Santos do Dia: Venceslau (Mártir), Lourenço Ruiz e Companheiros (Mártires), Estáctea de Roma (mártir), Eustóquia de Belém (filha de Santa Paula, virgem), Eustóquio de Tours (bispo), Exupério de Tolosa (bispo), Fausto de Riez (bispo), Fausto de Tarbes (bispo), Lioba da Alemanha (abadessa), Marcial, Lourenço e seus vinte companheiros (mártires da África), Marcos, Alfeu, Alexandre, Zósimo, Nicon, Neon, Heliodoro e trinta soldados (mártires de Antioquia da Pisídia), Máximo (mártir), Privato de Roma (mártir), Silvino de Bréscia (bispo), Wiligodo e Martinho (monges de Vosges). Primeira leitura: Ezequiel 18,25-28 A conversão daqueles que o sistema religioso considera pecadores deveria ser um sinal profético com possibilidade de levá-los para o caminho do bem. Contudo, isto não é o que ocorre. Cada sistema religioso organiza seus valores em escalas hierárquicas nas quais conta mais a posição do que a própria consciência. O profeta Ezequiel e o evangelho se referem a essa terrível realidade: os que se consideram a si mesmos salvos são incapazes de mudar sua maneira de pensar para se abrir à ação de Deus. Os mais ilustres representantes da religião (sacerdotes judeus, fariseus, escribas, etc.) incorrem no pecado da falsa consciência religiosa, quer dizer, na pretensão injustificada de se considerar salvos por seus próprios merecimentos e não pela graça de Deus. Paulo nos apresenta uma oportuna reflexão sobre este problema e nos chama a atenção sobre aqueles elementos de discernimento que nos permitem valorizar nossas práticas cotidianas à transparente luz do amor misericordioso e do serviço solidário. O profeta Ezequiel chama a atenção de seu povo, envolto em intrigas e completamente alienado por causa das permanentes conspirações contra o império babilônico. A situação era extremamente precária depois da primeira deportação no ano de 597 a.C. Os líderes do povo tinham sido obrigados a andar por terras estrangeiras e viver em condições extremamente precárias. A situação em Jerusalém era muito instável A falta de discernimento, a manipulação dos sentimentos patrióticos e o oportunismo dos novos líderes deixavam-nos à mercê de uma nova e devastadora intervenção da Babilônia como efetivamente ocorreu no ano de 587 a.C. No meio de tanta tensão, caos e confusão, Ezequiel faz um convite ao juízo e à prudência. A falsa consciência religiosa estava ensoberbecendo as autoridades do Templo e os altos funcionários da corte. Consideravam-se a si mesmos proprietários da salvação e pessoas acima do 'bem e do mal' Ezequiel os chama à humildade e à honestidade, ao serviço do povo e à justiça, pois, em nome do bem da pátria não cessavam de cometer crimes e injustiças que contradiziam o fundamento jurídico e ético da Aliança de Javé com seu povo. Considerar-se a si mesmo justo, enquanto se cometem as piores atrocidades não é senão um engano inútil. O bem consiste no respeito do direito e na prática da justiça. A parábola que hoje Jesus nos propõe, denuncia igualmente a falsa consciência religiosa. A vinha é a realidade do mundo, na qual o trabalho é árduo e urgente. A essa vinha, o Pai envia seus filhos. A resposta dos dois é ambígua. Contudo, somente o compromisso do que inicialmente se havia negado ao trabalho nos permite descobrir quem agiu coerentemente. Deste modo Jesus denuncia aqueles dirigentes e todo o povo que publicamente se compromete a servir ao Senhor, nas que é incapaz de agir de acordo com suas palavras. Atitude que contrasta com aqueles que, embora pareçam se negar ao serviço, terminam dando o melhor de si na transformação da vinha. A conversão não é um assunto de solenes proclamações ou de prolongados exercícios piedosos, mas um chamado inadiável à justiça e ao discernimento. As palavras de Jesus feriam a sensibilidade religiosa de seus contemporâneos que se consideravam autênticos seguidores de Javé e inigualáveis homens de fé, porque colocava diante deles o testemunho daquelas pessoas que eram consideradas uma classe de pecadores: as prostitutas e os publicanos. Prostitutas e publicanos não somente eram profissionais terrivelmente desprezados, mas aqueles que as exerciam eram considerados pessoas asquerosas e inadmissíveis entre a gente de bem. Jesus ridiculariza todas essas avaliações lançadas dos pedestais do sistema religioso e mostra, com os fatos, que nem sequer a presença de um profeta tão grande como João Batista é capaz de transformar as consciências calejadas e estéreis daqueles que se consideravam salvos unicamente pelo alto cargo que ocupavam no aparato religioso. Paulo nos mostra a mesma realidade, desde o interior da comunidade cristã. Os crentes por suas próprias boas intenções estão mais expostos a criar uma falsa consciência religiosa que os leve a se considerar superiores aos demais ou definitivamente salvos. O único critério para determinar a autenticidade das práticas cristãs é o que ele chama de "entranhas de misericórdia", ou seja, o amor incondicional por aquelas pessoas excluídas e vítimas da opressão e a miséria. Para Paulo, os cristãos não se podem examinar unicamente à luz de critérios piedosos, mas à luz da prática de Jesus que agiu sempre no mundo com entranhas de misericórdia. Mais além de uma interpretação limitada ao contexto judeu da época de Jesus, esta sua palavra pode e deve elevar-se à categoria universal e ao princípio teórico: o da primazia do fazer sobre o dizer, da prática sobre a teoria. Um irmão disse que sim, muito disposto, mas seus atos desmentiram suas palavras: sua palavra verdadeira, sua palavra prática, foi um não. O outro irmão pareceu estar desde o princípio fora do caminho da salvação, por suas palavras negativas e inaceitáveis; mas deixando de lado suas palavras, e ainda sem substituí-las por outras mais adequadas, aceitáveis, ele de fato foi à vinha, "fez" a vontade do Pai. Dizer/fazer, teoria/prática: o Evangelho deve ser propagado sem vacilações diante destas disjuntivas. Clique aqui para ver esta página no site do Serviço Bíblico O Serviço Bíblico é contra a prática de SPAM. Você optou por receber nossos e-mails em seu cadastro. Caso não queira mais receber nossos e-mails, envie um e-mail para maciel@avemaria.com.br solicitando o cancelamento. |
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