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Domingo, 21 de setembro de 2008 Santos do Dia: São Mateus (Apóstolo e Evangelista), Alexandre de Baccano (bispo, mártir), Eusébio da Fenícia (mártir), Ifigênia da Etiópia (virgem), Isácio de Chipre (bispo, mártir), Jonas (profeta bíblico do Antigo Testamento), Melécio de Chipre (bispo), Pânfilo de Roma (mártir). Primeira Leitura: Isaías 55,6-9 A graça e a misericórdia de Deus contrapõem-se à mentalidade religiosa judaica da época de Jesus. Ante a teologia do merecimento do sistema religioso, opõe-se a teologia gratuita, pregada por Jesus. Deste ponto de vista, a salvação não é alcançada somente por merecimentos próprios, mas pela misericórdia de Deus que no-la concede apesar de não a merecermos. O texto do segundo Isaías centra sua atividade profética no tema da consolação do povo exilado. Mas o desterro aconteceu pela desobediência do povo e de seus dirigentes que se afastaram de Deus e romperam a Aliança. Certamente, Deus não abandona seu povo. Se o povo é infiel à Aliança, Deus permanece sempre fiel. Os caminhos do Senhor são muito diferentes dos humanos. O profeta insiste no convite a buscar o Senhor. Convida à conversão e ao arrependimento porque Deus é clemente e misericordioso e sempre está disposto ao perdão. Os planos de Deus não são tão limitados e mesquinhos como os nossos. Paulo, na carta aos Filipenses, apresenta uma séria alternativa: morrer para ficar com Cristo ou permanecer no meio deles para ajudá-los em suas dificuldades. Paulo, prisioneiro por Cristo, pressente que seus dias já estão chegando ao fim. Perseguido, caluniado, encarcerado, açoitado e desprezado por muitos, viveu em sua própria pessoa a paixão do Senhor. Consequente com sua pregação, esforçou-se por viver o Evangelho de Jesus, então é normal que corra a mesma sorte que seu Mestre. Mas também tem plena convicção de participar da glória da ressurreição. Tanto sua vida como sua morte são em função de Cristo. Se está vivo é para continuar anunciando o Evangelho, se morrer é para entrar em plena comunhão dos justificados com o Senhor. Assim postas as questões, Paulo sente que sua missão chegou a seu fim. Como Jesus, pode dizer: tudo está cumprido. Mas Paulo preocupa-se com a fragilidade das comunidades, cuja fé está fortemente ameaçada pelo ambiente cultural das colônias do Império. Na parábola dos trabalhadores descontentes com o pagamento se reflete o modo de agir de Deus, contrário à nossa mentalidade utilitarista. O contexto da parábola foi motivado pela controvérsia de Jesus com as autoridades judaicas por causa de seu contínuo relacionamento com pessoas de reputação duvidosa como: publicanos, pecadores, doentes, crianças, pagãos e mulheres. Precisamente aqueles que eram considerados impuros e, portanto, excluídos do círculo da santidade. Mas no contexto da comunidade mateana se percebe o conflito produzido entre os judeo-cristãos e pagãos cristãos que se encontram na mesma comunidade. Era inaceitável que os recém-convertidos tivessem o mesmo tratamento dos que tinham pertencido desde tempos antigos ao povo eleito. É claro que o encontro entre judaísmo e cristianismo no seio de uma mesma comunidade ficava bastante complicado. Assim o manifestam outros escritos do Novo Testamento como a carta aos Gálatas. A parábola, narrada por Jesus, parte de um fato real. O proprietário representa os donos de terras que à base de decisões judiciais tinham usurpado as terras dos camponeses. Os desocupados eram os que tinham perdido tudo e aceitavam trabalho por qualquer preço para poder sobreviver. A chave da parábola não está na atitude equitativa do patrão, pois ele poderia pagar como quisesse. O que chamou a atenção dos ouvintes foi que tivesse preferido os que não eram seus trabalhadores (os de última hora), sobre os que o eram (os da primeira hora). Situação incompreensível de todos os pontos de vista. O sistema religioso do tempo de Jesus e das primeiras comunidades centrava a prática religiosa no merecimento e no pagamento. A salvação tinha-se convertido num mercado de compra e venda. Jesus questiona a fundo essa mentalidade que tanto mal fazia ao povo. A salvação é dom gratuito de Deus. E a graça tem a ver com o amor misericordioso. Deus não desenvolve nossos esquemas contábeis interesseiros e lucrativos. Para Deus, tanto os primeiros como os últimos são objeto de seu imenso amor e misericórdia. Hoje temos de superar todo espírito de competência e inveja. Temos de superar, sobretudo o "exclusivismo" que ainda está latente no subconsciente cristão: já não o dizemos nem o defendemos, mas muitos continuam pensando; nós, nossa religião, seria a única verdadeira, e, portanto a superior, a definitiva, a insuperável, aquela a que as demais religiões (e culturas!) devem confluir... Se já muitos abandonaram aquela visão veterotestamentária de que "as nações e os povos virão venerar e adorar a Deus em Sião", porque sociologicamente já não parece previsível nem viável que o mundo vá um dia ser todo cristão , não deixamos de ter essa consciência de "exclusivismo" quando nossas autoridades e hierarquias condenam autoritariamente e sem diálogo algumas opiniões sociais, critérios éticos, que se dão em diferentes sociedades, apoiados no convencimento de que nossa verdade é inquestionavelmente superior à dos demais, previamente, sem necessidade de diálogo... Não há dúvida de que aceitar em profundidade a mensagem evangélica de hoje de que "os primeiros serão os últimos" exige de nós uma mudança profunda de mentalidade. Também o pluralismo religioso e o diálogo intercultural devem ser elencados entre esses grandes desafios gerados pelo descobrimento mais profundo da "gratuidade de Deus" que a parábola do evangelho de hoje, volta a pôr diante de nossos olhos. 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